Passionnée de peinture et curieuse de tout je m'éfforce d'être attentive à tout ce qui m'entoure,la nature qu'il nous faut protéger est pour moi la source continuelle de mon inspiration, mon but serait que les personnes qui voient mes oeuvres refléchissent sur l'existence et l'exigence de la vie, de la nature, des êtres vivants, car il me semble que tout ce qui nous entoure est bien fragile.

Alice Alves

Préface...

La Vieille
(100X100 cm)
O momento do retrato

O retrato está na génese da pintura, quando a pintura era forma de ligação entre o mundo dos presentes e o mundo dos ausentes, uma fixação da eternidade do retratado mas ao mesmo tempo uma registo de um momento fugaz, registo de uma expressão  eleita entre as milhares daquelas que o rosto constrói num só dia.

Alice Alves faz parte daquele filão de artistas que se deslumbram a observar o rosto.
Procura a diferença, a emoção ou apenas a proporção e o subtil jogo da luz e das trevas
que banham a pele do retratado. O retratado que escolhe é usualmente alguém que lhe é exótico.
John Ruskin aconselha o artista que se inicia nas lides  da representação a evitar modelos que lhe sejam próximos em termos de afecto para dessa forma ter uma maior acuidade analítica do referente retratado.

Alice Alves parece ter encontrado um ponto de compromisso, de fronteira, entre o próximo e o distante, entre o afecto  e a análise. Aproxima-se com o afecto curioso do modelo exótico, do homem ou mulher de outras latitudes que não a sua. Assim encontra espaço para a análise do modelo que lhe está distante.
Mas a pintora não se resume à descrição... cava com os materiais um sulco entre o olhar e a matéria que constrói a figura. São da Pintura, da cor, mas também de um momento da alma.

Manuel Casa Branca